A adolescência é uma fase gostosa mas também complicada, tanto para os próprios adolescentes quanto para os pais. Ela é marcada por uma torrente de novidades, descobertas, e também dúvidas, inseguranças e contradições de todos os tipos.
Os adolescentes têm muitos sonhos, vontades e energia de sobra, algumas vezes sãp até "afobados" demais. Isso quando não são preguiçosos, reclusos ou deprimidos.
Amam os pais e os vêm como fabulosos heróis que, de uma hora para outra, se tornam chatos mandões que não o deixam fazer nada. Afinal, os adolescentes sempre querem mais liberdade e os pais são vistos como “ditadores que insistem em impor limites”. Às vezes, tanto pais como os filhos são dóceis e compreensíveis um com o outro, às vezes a incompreensão, o conflito e o distanciamento regem a relação.
Abaixo, vemos alguns fatores que geram conflitos aos adolescentes, fazendo com que a ajuda de um psicólogo seja necessária:
Os hormônios e suas imprevisiveis consequências.
Na adolescência o corpo se desenvolve. Quadris, seios e a chegada da menstruação para as meninas. Barba, músculos e mudança de voz para os meninos. Espinhas, pêlos e libido para todo mundo.
A descoberta da sexualidade acontece. A masturbação, experimentações, definição de opções sexuais e o início das relações acontecem. Um misto de curiosidade, prazer, insegurança, muitas dúvidas e ocasional inconsequencia permeiam a vida do adolescente.
A difícil relação consigo mesmo e com o mundo.
São tantas mudanças, dúvidas, pressões e vontade de se encontrar, que o adolescente pode ficar perdido e assustado, tornando-se inseguro, desenvolvendo baixa auto-estima, inferioridade ou mesmo tomando decisões ruins. Ou pode ir ao outro extremo e achar que sabe e pode tudo, se tornando prepotente, mimado, rebelde e até agressivo. São problemas devidos à formação de identidade, a forma como o adolescente enxerga a sí mesmo, os outros e também seu papel na sociedade.
Aceitação: tema central na vida do adolescente.
A aceitação sempre foi vital na vida e na história da evolução humana. Ser aceito significa ter segurança, auxílio nas dificuldades, companhia e a chance de encontrar parceiros e ter filhos.
É na adolescência que os filhos começam a “sair de baixo das asas” dos pais e seguir o próprio caminho. Ser aceito nessa fase significa ter seu valor reconhecido, ser importante, confiante e capaz de resolver as próprias questões e dirigir sua vida rumo à realizações e conquistas. Não à toa que o adolescente vive uma luta diária para se sentir aceito, reconhecido e valorizado, por sí mesmo, por seus pares e seus pais.
É também uma fase de comparações, julgamentos irracionais e muitas vezes distorcidos. Quem tem os seios maiores, se veste melhor, tem a pele mais bonita, já “pegou” mais menininhas, é mais inteligente ou joga bola melhor...a lista é infinita, os adolescentes julgam e se comparam o tempo inteiro.
O engraçado é que ao mesmo tempo que os adolescentes podem contar vantagens, serem cruéis, praticar bullying e agredir emocional ou fisicamente uns aos outros como forma de demonstrar valor, por dentro eles também podem ser extremamente sensíveis e inseguros, ansiando por atenção e aprovação.
A preocupação com os estudos e o futuro do adolescente.
Os estudos também se tornam um tema de muita atenção, seja para o adolescente, seja para os pais preocupados com o futuro de seu filho(a). Com o passar dos anos e o amadurecimento do intelecto, os estudos se tornam mais complexos, mais exigentes e trazem consigo muitas possibilidades mas também pressões e dificuldades.
Existe o lado do adolescente que começa a se questionar porque deve estudar tanto e de que isso importa no final das contas. Aparecem as dificuldades e limitações acadêmicas, muitas vezes auto-impostas e que podem atingir em cheio a auto-estima e senso de valor próprio. Em algum momento chega também a pressão do vestibular. É um momento de muitos questionamentos, dúvidas e inseguranças - “Será que sou bom o bastante para passar? Estou fazendo a escolha certa? Será que vou ter que fazer a mesma coisa pelo resto da vida e serei feliz com isso? E se eu disser para meus pais que quero esperar ou seguir outro caminho?”. - são perguntas que todo adolescente se faz em algum momento.
E existe também o lados dos pais, é claro. Eles se preocupam e só querem o melhor para seus filhos, daí tanta apreensão, conselhos e até mesmo exigências e imposições. Há pais que questionam, cobram, pressionam, exigem boas notas, bons comportamentos, um milhão de cursos que se emendam um no outro… e muitas vezes sufocam e tratam o adolescente como alguém sem opiniões, vontade própria ou juízo.
Mas há também aqueles que vêem o filho desperdiçando todo seu potencial e ficam angustiados e desesperados por não terem seus apelos ouvidos pelo adolescente. Eles ficam sobrecarregados e frustrados por não conseguirem ajudar o filho que tanto amam e a quem dedicam tanto carinho.
Adolescente: irresponsável ou aventureiro?
Outra coisa aparentemente imcompreensível mas tão comum na adolescência são as “más decisões” e riscos imprudentes que os adolescentes tomam.
Hoje existe informação disponível sobre tudo e ainda assim é comum os adolescentes se envolverem com drogas, sexo sem proteção, corridas de carro, excesso de álcool, esportes radicais e tantas outras atividades de risco. São situações extremamente delicadas mas que nem sempre precisam ser algo negativo e com consequências permanentemente desastrosas. Quando bem trabalhadas, essas questões podem servir para grande aprendizado, amadurecimento e desenvolvimento pessoal.
E assim é a adolescência...
Uma época delicada, cheia de contradições, desafios e perigos. Mas também uma época explêndida, repleta de oportunidades para que o adolescente cresça, amadureça e desenvolva plenamente todo seu potencial humano.
É uma oportunidade de se preparar para entrar na vida adulta como um ser humano capaz e bem resolvido, preparado para enfrentar o que vier pela frente, buscar aquilo que realmente é importante, que faz sentido e inflama o coração.